ENGEL engenharia elétrica       Translation for the English

6.5 - MEDIDAS ELÉTRICAS.




Conteúdo : 1. Introdução.
2. A evolução da tecnologia.
3. Por que gerenciar a energia elétrica.
4. As vantagens da medição eletrônica.
5. Ferramentas de análise financeira, estatística e de processos.
6. Novidades da medição eletrônica.
7. Controlador LOBO.
8. Por que controlar a demanda.
9. Como a concessionária mede a demanda e o fator de potência.





1. Introdução.

Em face do crescente uso de automação nas indústrias, e do aumento das multas e ajustes cobrados pelas concessionárias, o gerenciamento da energia elétrica vem se tornando uma necessidade para as empresas interessadas em reduzir custos. Os consumidores não estão se preocupando apenas com os ganhos decorrentes da eliminação de multas, e passam a exigir recursos para que se alcance um aumento de produtividade através da diminuição de interrupções, maior vida útil dos transformadores, e demais equipamentos instalados nas subestações.

Esta crescente automação nas indústrias brasileiras vem sendo impulsionada principalmente por três fatores: as empresas sentem cada vez mais a necessidade de redução de custos, os preços dos equipamentos e sistemas vem caindo significativamente, e a capacidade destes mesmos sistemas vem crescendo em progressão geométrica. Dentro deste quadro, surge com destaque o gerenciamento e a conservação de energia elétrica dado a crescente rigidez nos critérios de faturamento das tarifas de energia elétrica e a sua aplicação à quase totalidade dos processos industriais.




2. A evolução da tecnologia.

Até o início dos anos 80, usavam-se conjuntos de relés para controlar a demanda de energia. Nesta época, o surgimento das tarifas horo-sazonais coincidiram com os primeiros controladores micro-processados. Os equipamentos eram verdadeiras "caixas pretas", sem nenhuma capacidade de programação por parte do usuário. A evolução continuou, e os controladores passaram a dispor de CPUs mais potentes, capazes de controlar displays, teclados, e de armazenar dados. Em 1988, surge o primeiro equipamento com capacidade de comunicação serial, justamente no momento em que os PCs começavam a se espalhar por todo o país.

De lá para cá, se passaram anos. A evolução da interface visual dos sistemas (software) foi enorme : Gráficos mais bonitos, relatórios mais completos, mais análises e mais estatísticas. Mas enquanto a informática explodiu em todo o mundo, os sistemas de controle pouco evoluiram, principalmente no quesito hardware. Prova disto é que, ainda hoje, grandes marcas do setor vendem sistemas baseados em velhas CPUs de 8 bits. Seus fabricantes alegam ter capacidade de fazer gerenciamento energético, bastando para tanto instalar medidores de energia ativa com saída em pulsos, e placas de entradas digitais que levarão as informação até a CPU central, ou a CPUs auxiliares ou expansões.

Esse tipo de solução para gerenciamento energético surgiu por volta de 1993. Os resultados foram pífios e pouco confiáveis. Talvez por isso a solução não se disseminou, e a maioria dos consumidores continuou a fazer o controle de demanda pura e simplesmente. Mas a mudança de paradigma veio em 1997, com o lançamento do primeiro controlador com protocolo aberto, pela Engecomp, e do primeiro transdutor digital, pela Yokogawa. Coincidentemente, ambos os aparelhos utilizavam o protocolo Modbus, e se comunicavam por saídas seriais RS-485. Quando as duas empresas aplicaram esta solução pela primeira vez, na fábrica da Coca-Cola em Cuiabá, ainda não se tinha uma exata noção de como isto viria a mudar o conceito de gerenciamento de energia.




3. Por que gerenciar a energia elétrica.

Existem duas razões para se gerenciar a energia de uma instalação: reduzir a conta de energia, e aumentar a produtividade.

A redução na conta se dá otimizando os contratos de demanda, e eliminando as ultrapassagens de demanda e os ajustes de fator de potência. Isto é possível porque existe uma legislação de âmbito nacional que regula a cobrança da eletricidade por todas as concessionárias. A figura seguinte ilustra o comportamento das demandas (ativa e reativa) e do fator de potência a cada 60 segundos, onde podem ser visualizadas oscilações de maior importância.

A importância do gerenciamento de energia vem crescendo porque, além da redução na conta de energia, atualmente já é possível alcançar grandes ganhos de produtividade, facilitando a manutenção e a operação das plantas. O gerenciamento é importante porque :

  • a riqueza de informações e detalhes permite a supervisão total do fluxo de energia na instalação, inclusive alimentando sistemas de gestão empresarial (ERP) em tempo real.
  • a competitividade da economia globalizada obriga as empresas a conhecer detalhadamente seus custos de energia, rateando-o entre os vários setores (centro de custos) da planta.
  • fusões e cisões de empresas, tão comuns em nossos dias, criam a necessidade de se dividir os custos da energia entre as distintas áreas contábeis.
  • motores de indução tem máxima vida útil quando operados com fator de potência entre 0,95 e 1.
  • transformadores tem máximo rendimento quanto maior for o fator de potência, e sua eficiência é um grande trunfo contra a obsolescência precoce de subestações.
  • proteções (fusíveis e disjuntores) podem atuar desnecessariamente se a qualidade da energia utilizada cair abaixo de certos limites (uma combinação de fator de potência, distorções harmônicas e número de interrupções e transientes).
  • um fenômeno chamado "efeito joule" causa aquecimento desnecessário em quaisquer equipamentos elétricos, incluindo fios e cabos, à medida em que cai o fator de potência, comprometendo a vida útil de inúmeros componentes.

Mais e mais empresas tem avançado na idéia de se gerenciar as grandezas elétricas em cada uma das subestações, controlando o fator de potência e várias outras grandezas em cada barramento elétrico de distribuição.




4. As vantagens da medição eletrônica.

A tabela abaixo produz uma comparação entre os sistemas baseados em medição eletrônica, e os sistemas com medidores eletromecânicos.

Sistemas com medição eletrônica

Sistemas com medidores eletromecânicos

Várias grandezas no mesmo instrumento

Um instrumento para cada grandeza

Leituras instantâneas diretas permitem o registro histórico de todas as grandezas elétricas

Valores precisam ser processados, e não podem ser usados em manutenção preventiva.

Demanda e Fator de Potência instantâneos

Demanda e Fator de Potência1 projetados2

Leituras de tensão e corrente por fase

Não informa valores de tensões e correntes

Leituras de potências3 por fase

Não informa valores de potência

Leituras de Distorções Harmônicas4

Não informa valores de distorções harmônicas

Leituras de consumos acumulados (ativo e reativo)

Valores de consumos devem ser acumulados pelo sistema de gerenciamento5

Consistência dos dados é total (inclusive dos acumuladores)

Consistência pode ser quebrada por falta de energia nos diversos componentes do sistema

Leituras detalhadas auxiliam a conferência da ligação do próprio medidor

Requer muita experiência para garantir a correta ligação dos medidores

Instalação simplificada (rede serial RS-485 com um par de fios apenas)

Cabos de cada ponto de medição devem ser levados até a CPU central

Menor número de componentes (apenas os medidores e o gerenciador)

Vários componentes adicionais (emissores de pulsos, placas de entradas, etc.)

Maior confiabilidade e precisão (até 0,2%)

Partes móveis diminuem a precisão (entre 1 e 2%)

Calibração única (na fabrica)

Necessidade de calibrações periódicas

1. Disponível apenas se forem instalados medidores de energia reativa.
2. Não são divulgadas informações sobre os algoritmos de projeção destas grandezas no caso das medições setoriais.
3. Potências ativa, reativa e aparente (total).
4. Apenas alguns modelos de medidores.
5, Valores podem ser inconsistentes em caso de falta de energia.




5. Ferramentas de análise financeira, estatística e de processos.

Com ferramentas de análise de custos, a administração da planta terá todas as informações para fazer um perfeito custeio do produto acabado, seja por lotes ou turnos de produção. Por esta razão, o sistema deve possuir ferramentas de análise, estatística e gerenciamento, habilitadas individualmente por meio de senhas. Com elas, um operador ou gerente pode dimensionar expansão de bancos de capacitores, estimar novos valores ideais para as demandas contratadas junto à concessionária, determinar potenciais de economia, simular transferência ou instalação/retirada de novas máquinas, além de visualizar todas as informações sob a forma de gráficos ou tabelas.




6. Novidades da medição eletrônica.

A partir de 1996, passou-se a utilizar sistemas de medição eletrônicos por todo o país. A grande diferença entre um registrador e um medidor eletrônico é que este último dispensa o uso dos medidores eletromecânicos.

Os medidores eletrônicos são mais modernos, mais fáceis de calibrar e testar, mais baratos, e mais simples de instalar. Com tantas vantagens, não há dúvida que as instalações com medidores eletromecânicos e registradores serão eliminadas aos poucos pelas concessionárias.

No que se refere à medição de energia reativa, os medidores eletrônicos são muito mais eficientes. Eles tem a capacidade de ler a energia reativa, seja ela indutiva ou capacitiva. Entretanto, na tentativa de manter os medidores parecidos com os registradores o máximo possível, o CODI (em conjunto com a ABNT) não fez alterações no protocolo da saída serial do usuário.

O protocolo atualmente utilizado informa o número de pulsos de energia reativa apenas, não prevendo a informação destes serem indutivos ou capacitivos. Para minimizar o problema, decidiram permitir que os medidores pudessem receber três tipos de programação:

  1. para informar pulsos de energia reativa indutiva.
  2. para informar pulsos de energia reativa em KQh.
  3. para informar pulsos de energia reativa capacitiva durante o horário capacitivo, e de energia reativa indutiva durante o resto do dia.

Com a implantação da Portaria DNAEE 1569/93, as concessionárias de energia tem padronizado a programação dos medidores na alternativa 3, que coincidentemente era a única das três que não era aceita pelos controladores de fator de potência do mercado. Isto forçou os fabricantes de controladores a alterarem os programas de seus equipamentos, para operarem na nova configuração.

Abaixo, mostramos a tabela dos fabricantes e dos modelos de medidores e registradores uso mais frequente no momento:

Fabricante Medidor Eletrônico Registrador
ESB Saga 1000 -
ELO MEP e MEMP REP
Telemática - REP
Nansen MEL -
ABB Alpha -



7. Controlador LOBO.

Um Controlador LOBO pode monitorar o comportamento da demanda e do fator de potência continuamente. fornecer relatórios diários com tabelas e gráficos que permitem analisar o comportamento da demanda e do fator de potência (mediante o uso de software opcional de gerenciamento), e que permitem tomar as medidas corretivas cabíveis. controlar automaticamente as cargas e os capacitores, impedindo a ocorrência de multas.

Resumidamente, o modo de funcionamento do LOBO é o seguinte: Entrada de Dados: Os pulsos emitidos pelo medidor REP, utilizado pela concessionária para fazer os registros que servirão ao faturamento da energia, são os mesmos que o LOBO utililiza para fazer cálculos e controles. Isto torna o controle 100% compatível com a sua medição. Estes pulsos são recebidos pela placa de interface do sistema, especialmente desenhada para este fim.


Correção F.Potência

Cálculos da Concessionária: A concessionária registra a DEMANDA ATIVA consumida a cada 15 minutos, o chamado intervalo de integração. A concessionária registra, igualmente, DEMANDA REATIVA a cada 15 minutos, e com base nestes valores, calcula o FATOR DE POTÊNCIA médio da instalação em cado intervalo de uma HORA, ao longo do mês.

Cálculos do LOBO: O LOBO faz constantemente vários cálculos que permitem alcançar os valores de demanda e fator de potencia conforem legislação em vigor, sem desligar inutilmente as cargas, sem sobrecarregar os capacitores, e sem prejudicar a produção.

Atuação do LOBO: O LOBO atua sobre as cargas e sobre os capacitores obedecendo aos critérios definidos pelo usuário, e garante que a demanda e o fator de potência alcançados no final de cada intervalo estarão dentro do limites prefixados.

A instalação de um Controlador LOBO pode ser realizada de várias maneiras, dependendo do ambiente industrial e do modo de operar desejado pelo usuário. A figura a seguir mostra um diagrama típico utilizado com bastante frequência.


Diagrama Instalação

Normalmente, as distâncias entre o controlador e a cabine de medição da concessionária, e entre o controlador e as cargas é que determinam com maior precisão o tipo de instalação que será implementada. Por esta razão, o amplificador que consta do diagrama pode ou não ser necessário na sua instalação. Consulte a engenharia da Engecomp para uma avaliação do seu caso específico.




8. Por que controlar a demanda?

Qualquer que seja o seu enquadramento tarifário dentro do Grupo A, a sua demanda registrada (para fins de faturamento) será, a cada mês, a maior demanda de cada um dos intervalos de integração de 15 minutos ao longo do mês. Se sua empresa estiver enquadrada na tarifa horo-sazonal azul, terá uma demanda registrada para o horário fora de ponta e outra demanda registrada para o horário de ponta. Estes valores, quando elevados, podem ocasionar pesados acréscimos à sua fatura de energia.




9. Como a concessionária mede a demanda e o fator de potência.

Assuma, como fato quase que certo, que a sua concessionária possui instalados, junto à sua entrada de energia, todos os medidores e registradores de energia necessários à cobrança das grandezas elétricas que o seu enquadramento tarifário permite a ela cobrar.

Para isto, são medidos e registrados a demanda ativa e reativa a cada 15 em 15 minutos, durante todos os dias entre as leituras de energia. Durante a leitura, esses dados são transferidos para um coletor de dados, e posteriormente, eles são descarregados no computador da concessionária que faz o faturamento de cada um dos clientes.



Este Site possui material da :     Visite a ENGECOMP


© Copyright 2001 by ENGEL engenharia elétrica, Inc Todos os direitos reservados.