ENGEL engenharia elétrica
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FILTROS ATIVOS DE CORRENTE.
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Filtragem ativa de uma carga única, ou um conjunto delas, é uma
opção a fazer-se a correção do fator de potência no estágio de entrada de cada
equipamento, utilizado os chamados pré-reguladores de fator de potência.
O objetivo da filtragem da corrente é obter uma forma de onda
que siga a forma da tensão, ou seja, que o conjunto carga + filtro represente
uma carga resistiva, maximizando o fator de potência, o que vale dizer,
minimizando a corrente eficaz absorvida da fonte, mantida a potência ativa da
carga.
Síntese de formas de onda utilizando inversores
Abordaremos diferentes maneiras de sintetizar correntes ou
tensões, com forma, freqüência e amplitude arbitrárias, de maneira a ser
possível a utilização de topologias inversoras no condicionamento da energia
elétrica.
Tais circuitos podem operar como Filtros Ativos, para os quais
deve-se produzir uma forma de corrente (ou tensão) que compense as distorções
presentes no sistema.
Quando a energia transferida para o sistema não contém parcela
ativa, a fonte que alimenta o inversor pode ser realizada apenas com elementos
de acúmulo de energia, como capacitores ou indutores. Devido às menores perdas
produzidas pelos capacitores, seu uso é mais difundido. No entanto, a tecnologia
de supercondutores já permite (embora com custos elevados) o armazenamento de
grandes quantidades de energia sem perdas, nos chamados SMES (Superconductive
Magnetic Energy Storage) [7.1], tornando este tipo de circuito mais indicado
para eventuais aplicações em potência elevada.
A figura 7.1 mostra estrutura de inversores trifásicos que
podem sintetizar diferentes formas de corrente em seus terminais.
Se, em regime, tais conversores não fornecem potência ativa,
eles não necessitam de uma fonte de potência em sua alimentação. O circuito deve
operar de maneira a manter sob controle o valor da corrente no indutor ou da
tensão do capacitor de armazenamento de energia. Uma descrição do método de
controle será feita posteriormente.

Figura 7.1. Topologias de inversores trifásicos.
Note-se que para o inversor de corrente, as chaves
semicondutores devem ser unidirecionais em corrente. O diodo em série protege o
transistor em situações de polarização reversa. Uma vez que a linha ca apresenta
uma característica indutiva, a fim de evitar surtos de tensão na saída do
inversor, deve-se inserir elementos capacitivos, capazes de absorver as
diferenças instantâneas das correntes. Além disso realizam uma filtragem de alta
freqüência, de modo que a corrente que flui para a linha é apenas o valor médio
da corrente sintetizada pelo inversor. A presença deste filtro capacitivo pode
levar ao surgimento de ressonâncias entre a linha e o filtro, as quais devem ser
evitadas e/ou amortecidas adequadamente. Neste tipo de circuito, para que haja
um caminho fechado para a corrente, necessariamente deve estar em condução uma
chave de cada semi-ponte.
De maneira análoga, em um inversor de tensão (acúmulo
capacitivo), o acoplamento com a rede exige a presença de elementos indutivos,
uma vez que as tensões do barramento cc (capacitor) e da rede não são iguais. As
chaves semicondutoras devem ser bidirecionais em corrente e unidirecionais em
tensão. A operação correta do circuito exige que nunca conduzam 2 chaves de um
mesmo ramo do inversor, pois isso colocaria em curto o capacitor.
É óbvio que para que seja possível o controle das formas de
onda (seja de corrente ou de tensão), os valores de Io ou de Vcc devem ser
maiores do que os valores de pico máximos, respectivamente de corrente e de
tensão, presentes no sistema.
Técnicas de modulação
Diferentes técnicas de modulação podem ser empregadas. As mais
usuais são a MLP e a por histerese (quando se trata de controle de corrente).
Outras possibilidades são, por exemplo, modos deslizantes (sliding mode), lógica
nebulosa (fuzzy), etc.
Modulação por Largura de Pulso - MLP
Uma maneira de obter um sinal alternado de baixa frequência é
através de uma modulação em alta frequência.
É possível obter este tipo de modulação ao comparar uma tensão
de referência (que seja imagem da tensão de saída buscada), com um sinal
triangular simétrico cuja frequência determine a frequência de chaveamento. A
frequência da onda triangular (chamada portadora) deve ser, no mínimo 20 vezes
superior à máxima frequência da onda de referência, para que se obtenha uma
reprodução aceitável da forma de ondadesejada, após efetuada a filtragem. A
largura do pulso de saída do modulador varia de acordo com a amplitude relativa
da referência em comparação com a portadora (triangular). Tem-se, assim, uma
Modulação por Largura de Pulso.
A tensão de saída é formada por uma sucessão de ondas
retangulares de amplitude igual à tensão de alimentação CC e duração
variável.
A figura 7.2 mostra a modulação de uma onda senoidal,
produzindo na saída uma tensão com 2 níveis, na frequência da onda
triangular.
É possível ainda obter uma modulação a 3 níveis (positivo, zero
e negativo). Este tipo de modulação apresenta um menor conteúdo harmônico. A
produção deste sinal de 3 níveis é ligeiramente mais complicado para ser gerado
analogicamente.
Quando se trata de um inversor trifásico, 2 arranjos podem ser
feitos: utilizando 3 inversores monofásicos (o que exige 12 transistores, e é
chamado de ponte completa) ou um arranjo chamado de semi-ponte, com 6
transistores, como o mostrado na figura 7.3.

Figura 7.2 Sinal MLP de 2 níveis.

Figura 7.3 Topologias de inversor em ponte completa e em
semi-ponte.
Em termos do conversor em semi-ponte, o sinal de comando
enviado a cada ramo do inversor é do tipo 2 níveis (quando um transistor liga, o
complementar desliga). Assim, a tensão de fase apresenta-se em 2 níveis. No
entanto, a tensão de linha (entre 2 fases) apresenta-se de 3 níveis, como se
observa na figura 7.4. Além disso, a frequência de chaveamento da tensão de
linha apresenta o dobro da frequência da onda triangular, como se nota no
espectro.
O obtenção de uma onda senoidal que recupere a onda de
referência é facilitada pela forma do espectro. Note-se que, após a componente
espectral relativa à referência, aparecem componentes nas vizinhanças da
frequência de chaveamento. Ou seja, um filtro passa baixas com frequência de
corte acima e 50/60 Hz é perfeitamente capaz de produzir uma atenuação bastante
efetiva em componentes na faixa dos kHz. Na figura 7.4 tem-se também as formas
de onda filtradas (filtro LC, 2mH, 20mF). Uma redução
ainda mais efetiva das componentes de alta frequêncis é obtida com o uso de
filtro de ordem superior.
O uso de um filtro não amortecido pode levar ao surgimento de
componentes oscilatórias na frequência de ressonância, que podem ser excitadas
na ocorrência de transitórios na rede ou na carga. Em regime elas não se
manifestam, uma vez que o espectro da onda MLP não as excita. O uso de filtros
amortecidos pode ser indicado em situações em que tais transitórios possam ser
problemáticos, com a inevitável perda de eficiência do filtro.


Figura 7.4 Formas de onda da tensão de fase e de linha em
inversor trifásico em semi-ponte. Indica-se ainda os respectivos sinais MLP
filtrados. Espectro dos sinais MLP de 2 e 3 níveis.
Modulação MLP com frequência de portadora variável
Uma alternativa que apresenta como vantagem o espalhamento do
espectro é o uso de uma frequência de chaveamento não fixa, mas que varie,
dentro de limites aceitáveis, de uma forma, idealmente, aleatória. Ista faz com
que as componentes de alta frequência do espectro não estejam concentradas, mas
apareçam em torno da frequência base, como se observa na figura 7.5. Note-se que
a referência, neste caso um nível contínuo, não sofre alteração.

Figura 7.5. Espectro de sinal MLP (referência cc) com portadora
de frequência variável.
Modulação por limites de corrente - MLC (Histerese)
Neste caso, são estabelecidos os limites máximo e/ou mínimo da
corrente, fazendo-se o chaveamento em função de serem atingidos tais valores
extremos. O valor instantâneo da corrente, em regime, é mantido sempre dentro
dos limites estabelecidos e o conversor comporta-se como uma fonte de
corrente.
Tanto a freqüência como o ciclo de trabalho são variáveis,
dependendo dos parâmetros do circuito e dos limites impostos. A figura 7.6
mostra as formas de onda para este tipo de controlador.
MLC só é possível em malha fechada, pois é necessário medir
instantaneamente a variável de saída. Este tipo de modulação é usado,
principalmente, em fontes com controle de corrente e que tenha um elemento de
filtro indutivo na saída.

Figura 7.6. Formas de onda de corrente e da tensão instantânea
de saída com controle MLC.
A obtenção de um sinal MLC pode ser conseguida com o uso de um
comparador com histerese, atuando a partir da realimentação do valor instantâneo
da corrente. A referência de corrente é dada pelo erro da tensão de saída
(através de um controlador integral). A figura 7.7 ilustra este sistema de
controle. Na figura 7.8 vê-se a forma de onda da tensão de saída, aplicada à
carga e o respectivo espectro. Note-se o espalhamento devido ao fato de a
frequência não ser constante.

Figura 7.7 Controlador com histerese.
 
Figura 7.8 Forma de onda e espectro de sinal MLC (referência
cc).
Síntese de correntes em inversor com acúmulo indutivo
A figura 7.9 mostra as tensões de entrada e referências de
corrente a serem seguidas. Consideremos, sem perda de validade para uma análise
geral, que as referências de corrente a serem seguidas estão em fase com as
tensões da rede. Em cada período da rede existem 6 intervalos, que se iniciam
nos cruzamentos das referências de corrente. Cada intervalo corresponde a um
modo de funcionamento distinto.
Consideremos o intervalo (t1 - t2). A referência ira é a maior
positiva e irb é a maior negativa. Considerando que a corrente de saída Io é
perfeitamente contínua, o interruptor S1 pode ser acionado de acordo com uma lei
de modulação senoidal, m1, de modo que a corrente ia siga a referência ira em
termos dos componentes de baixa freqüência do espectro.
Da mesma forma, uma lei de modulação m5 pode ser adotada para
S5, fazendo com que ib siga a referência irb.

Figura 7.9 Tensões de entrada e referência de corrente.
Quando a chave S1 é aberta, uma outra chave da semi-ponte
superior deve ser fechada para permitir a continuidade da corrente. Quando S5 é
aberta, outro interruptor da semi-ponte negativa deve entrar em condução. Para
estas funções, S3 e S6 são usadas, uma vez que elas não alteram as correntes
pelas fases a e b. A forma senoidal desejada para a fase c é resultado do fato
que a soma das correntes nas 3 fases é nula. Quando S3 e S6 conduzirem
simultaneamente, cria-se um caminho de livre-circulação para a corrente cc. A
figura 7.10 mostra os sinais de comando para os interruptores e a forma de onda
da tensão instantânea sobre o indutor cc, a qual apresenta um comportamento de 3
níveis. Uma vez que a freqüência de chaveamento deve ser muito maior do que a
freqüência da rede, pode-se considerar que, dentro de cada ciclo de chaveamento
as tensões da rede são constantes.
As formas de onda mostradas correspondem ao intervalo
t1’<t<t2, no qual
va>vb, em módulo e, conseqüentemente, da>db.

Figura 7.10. Sinais de comando para os interruptores e tensão
instantânea no lado cc.
As correntes instantâneas pelas fases tem forma retangular, com
amplitude dada pela corrente cc e largura determinada pela lei de modulação
(figura 7.11). Simultaneamente haverá corrente apenas por 2 das 3 fases, uma vez
que a existência de 3 correntes simultâneas colocaria em curto 2 das fases. A
corrente injetada na rede acompanhará o valor médio desta corrente.

Figura 7.11 Forma de onda instantânea das correntes no lado
CA.
Equações básicas
Seja x(t) uma função lógica que descreve o estado de uma chave
genérica S. Correspondentemente, a lei de modulação m(t) pode ser definida como
uma função contínua dada pelo conteúdo de baixa freqüência de x(t). Como x(t)
assume apenas valores 0 e 1, m(t) é limitada entre 0 e 1.
O fato de apenas um interruptor estar fechado em cada
semi-ponte ao mesmo tempo, faz com que apenas um x(t), relacionado a cada
semi-ponte, a cada instante, possa ser 1 [7.2]:
(7.1)
A tensão instantânea no lado cc é:
(7.2)
Desprezando as componentes de alta freqüência no espectro de
x(t), as equações (7.1)e (7.2) podem ser rescritas como:
(7.3)
(7.4)
No intervalo t1 - t2, dadas as amplitudes
das tensões da rede, as seguintes condições devem ser satisfeitas:
(7.5)
Para obter as correntes senoidais de entrada tem-se (note que
estamos supondo corrente em fase com a tensão, mas esta análise vale para
qualquer tipo de corrente):
(7.6)
onde M é o índice de modulação que determina a amplitude das
correntes.
De (7.3) e (7.6) tem-se:
(7.7)
Assim, desde que a corrente de saída seja perfeitamente
contínua, as correntes de entrada desejadas serão obtidas.
Procedendo analogamente para a expressão da tensão média do
lado cc, e considerando as tensões de entrada senoidais, simétricas e em fase
com as referências de corrente, a tensão média do lado cc apresenta-se
constante, sendo dada por:
(7.8)
onde Vp é a valor de pico das tensões de alimentação
(fase - neutro).
Ou seja, a tensão cc não é afetada por componentes de baixa
freqüência.
O índice de modulação, M, determina tanto a amplitude da tensão
média do lado cc quanto a amplitude das correntes alternadas do lado ca.
Observe-se ainda que a síntese da corrente desejada pode ser
feita em malha aberta, ou seja, é preciso apenas que se disponha da referência
adequada.
Absorção de reativos
Esta técnica de controle pode ser estendida variando-se a fase
entre a tensão de entrada e as respectivas correntes, permitindo assim a
circulação de uma quantidade controlável de potência reativa.
Para este objetivo, as referências de corrente, ir,
devem estar defasadas das tensões de entrada de uma fase adequada, f. As equações das correntes não sofrem alterações, enquanto
a tensão de saída passa a ser expressa por:
(7.9)
Note que se o inversor fornece apenas energia reativa a tensão
média no lado cc é nula, como é de se esperar, já que se trata de um elemento
puramente indutivo.
Generalizando um pouco mais, qualquer forma de corrente pode
ser absorvida da rede, desde que uma referência adequada seja utilizada, o que
torna esta topologia bastante própria para a implementação de filtros ativos de
potência.
Controle da corrente cc
Numa situação de regime, para que não haja mudança na corrente
cc, a tensão média sobre o indutor deve ser nula, como mostrado na equação
(7.9). Como o indutor possui perdas, ou ainda, porque transitoriamente houve uma
absorção (ou entrega) de potência ativa, é possível que ocorra uma variação no
nível da corrente cc. O controle do conversor deve prever um modo de manter, em
regime, a corrente no valor Io desejado. Isto pode ser feito alterando a fase
das referências de corrente. Se a defasagem entre tensão e corrente for
90o, o inversor só trabalha com energia reativa. Se a fase for menor
do que 90o, isto significa que o inversor está entregando ao resto do
sistema um pouco de potência ativa, o que faz com que a corrente Io tenda a
diminuir (aparece uma tensão média positiva no lado cc). Fazendo com que a
defasagem seja maior do que 90o o inversor absorve potência ativa do
sistema, levando ao crescimento da corrente Io. Uma vez atingido o valor Io
desejado, o controle deve retornar referência de regime. O mesmo efeito pode ser
obtido controlando-se a amplitude do sinal de referência em função do erro da
corrente cc.
Síntese de correntes em inversor com acúmulo capacitivo
Neste caso, a corrente média de saída é determinada pela
diferença entre as tensões médias da rede e da saída do inversor. Tal diferença
é aplicada sobre os indutores de filtro, definindo, assim, a corrente. As
diferenças instantâneas determinam a ondulação da corrente na freqüência de
chaveamento.
Como não se faz uma síntese direta da corrente, a correta
operação desta topologia necessita da realimentação da corrente, a ser comparada
com a referência, gerando um sinal de erro que, se necessário, corrige a largura
de pulso.
Esta realimentação da corrente permite, também para este
conversor, a síntese de qualquer forma de corrente.
Controle da tensão cc
A tensão presente no capacitor, numa situação de regime na qual
o inversor forneça apenas energia não ativa ao sistema, é constante.
Transitoriamente, no entanto, é possível que esta tensão varie em função de
mudanças na carga ou na rede.
A correção do erro de tensão é feita controlando-se a
amplitude do sinal de referência de corrente. Por exemplo, caso a tensão
cc diminua, o circuito de controle deve produzir um ajuste na amplitude da
corrente em relação à tensão da rede de modo a absorver potência ativa, elevando
a tensão do capacitor. O ajuste da fase da referência também permite a correção
da tensão cc.
O valor da tensão cc deve ser maior do que o valor de pico da
tensão da rede, permitindo, assim, a síntese de corrente mesmo em condições de
mínima diferença de tensão aplicada sobre a indutância de saída.
Síntese de tensões
As mesmas topologias que são capazes de produzir formas
arbitrárias de corrente, podem também fazê-lo em relação à tensão sintetizada em
suas saída, valendo aqui as mesmas observações relativas ao tipo de elemento de
armazenamento de energia, isto é, caso o inversor forneça apenas energia
reativa, ele não precisa de uma fonte de potência, podendo operar a partir
apenas de elementos de armazenamento de energia.
O estágio de saída deve ser adaptado de modo a ser obtida uma
tensão filtrada dos componentes relativos à freqüência de chaveamento,
obtendo-se apenas a tensão média sintetizada pelo inversor.
As figuras 7.12 e 7.13 mostram tais conversores.
A tensão CA que aparece sobre os capacitores de filtro, Cf,
representam o valor médio da tensão de saída sintetizada pelo filtro. Esta
tensão está aplicada ao primário dos transformadores, os quais transferem a
tensão à rede, de modo que a tensão aplicada à carga seja a soma da tensão
inicial da rede com a tensão de compensação.
Dependendo da fase entre a corrente da carga e esta tensão
tem-se que o inversor pode ou não estar entregando (ou absorvendo) potência
ativa. No caso de compensação reativa pura, as tensões sintetizadas devem estar
defasadas de 90 graus das correntes, como mostrado na figura 7.14, na qual o
compensador está sintetizando um capacitor. Na tensão nota-se a presença de
componentes de alta freqüência, enquanto a corrente, por efeito da carga
simulada, surge melhor filtrada.

Figura 7.12 Inversor trifásico, com acúmulo capacitivo, para
síntese de tensão.

Figura 7.13 Inversor trifásico, com acúmulo indutivo, para
síntese de tensão.
De maneira similar ao que se viu para os sintetizadores de
corrente, neste caso o circuito com acúmulo capacitivo pode operar em malha
aberta (em relação à tensão média produzida). Já no inversor com acúmulo
indutivo, como a tensão é resultado da passagem da corrente pelos capacitores de
filtro, é necessário fazer uma realimentação desta tensão para certificar-se que
ela acompanha a referência.

Figura 7.14 Formas de onda sintetizadas de tensão,
caracterizando elemento capacitivo.
Modulação vetorial
Existem diferentes técnicas de geração dos padrões MLP em um
inversor trifásico. O método analógico consiste em comparar a referência de cada
fase com uma onda triangular na frequência de chaveamento. Seu inconveniente é
propriamente a geração dos sinais analógicos de referência, com defasagens e
amplitudes corretas.
Outra modo de determinar as larguras de pulso dos interruptores
da ponte inversora é pela chamada modulação vetorial, que se baseia num
modelo fasorial no plano a,b [7.3] [7.4].
Consideremos a título de exemplo, mas sem perda de generalidade
um inversor trifásico de corrente com acúmulo indutivo. Como já foi dito, a
produção de uma forma qualquer de corrente, neste circuito, pode, em princípio,
ser feita em malha aberta, desde que seja utilizada a referência correta.
Como visto anteriormente, devem estar em condução
simultaneamente um interruptor de cada semi-ponte. O par que conduzir determina
o valor da tensão instantânea aplicada no lado cc e a corrente instantânea de
saída (+Io, -Io ou 0).
O conversor pode assumir 9 diferentes estados, os quais podem
ser representados no plano a-b por um vetor, como
indicado no diagrama da figura 7.15. A transformação das correntes das fases
a,b,c para o plano a-b é feita segundo o sistema
(7.10)
(7.10)
Para esta análise, representa-se cada corrente ca (em
p.u.,sendo Io a base) por um vetor unitário (já que, instantaneamente as
correntes ca só podem assumir este valor ou serem nulas) na direção dos eixos
a,b,c.
Por exemplo, quando a corrente ia for igual a +Io,
ela será representada pelo vetor +1 sobre o eixo a. Sua representação será -1,
sobre o mesmo eixo quando ia=-Io e será o vetor nulo quando
ia=0.
Os vetores obtidos pela adição de todos os pares de vetores
não-nulos podem ser usados para representar o estado do conversor. Como
resultado tem-se 6 vetores de estado, j1 a j6, mais o
vetor zero (o vetor zero corresponde a estados de livre-circulação, quando
conduzem interruptores do mesmo ramo).

Figura 7.15 Representação das correntes do conversor em vetores
espaciais.
O hexágono definido por estes vetores de estado incluem todas
as referências de corrente (no plano a-b) que podem ser
reproduzidas pela modulação das chaves do conversor. Por exemplo, o estado
j1 corresponde a uma situação em que ia>0 e
ib<0, ou seja estão conduzindo S1 e S5. O estado j6 é
definido para ic>0 e ib<0, ou seja, conduzem S3 e
S5. Observe que entre estados adjacentes o estado de um dos interruptores é
comum.
Os padrões de modulação podem ser obtidos de acordo com
técnicas de modulação vetorial [7.5] [7.6].
Consideremos inicialmente o diagrama vetorial mostrado na
figura 7.16, que se refere a uma operação normal (sem saturação). Dado um vetor
de referência i*, suas componentes i' e i", projetadas nos vetores adjacentes
(j1, j6) são computadas. As projeções (em p.u.) determinam
os ciclos de trabalho d' e d",
e , portanto, os intervalos de tempo em que o conversor deve ser mantido nos
estados correspondentes. Para o restante do período o conversor é mantido no
estado zero (livre-circulação). Os ciclos de trabalho são:
(7.11)
(7.12)
(7.13)

Figura 7.16 Modulação vetorial em condições normais.
Há diferentes maneiras de fazer o comando dos interruptores.
Neste caso, por exemplo, o interruptor S5, por ser comum aos dois estados
adjacentes, fica sempre ligado. Durante d', S1 é
mantido ligado. Ao ser desligada essa chave, S3 entra em condução, durante d". Ao se encerrar este intervalo, desliga-se S3 e liga-se
S2, realizando o intervalo de livre-circulação (durante do). Observe que neste estratégia de comando dos
interruptores há uma comutação a menos do que a obtida na estratégia indicada na
figura 7.10, o que contribui para reduzir as perdas de comutação do
conversor.
Na situação mostrada na figura 7.16 o vetor sintetizado i
coincide com a referência i*. Isto não ocorre em situações saturadas, como
mostrado na figura 7.17. Entende-se por saturação o fato de não ser possível
sintetizar exatamente a corrente de referência.
Quando o vetor de referência, i*, está fora do hexágono, a
maior componente, i', é mantida constante (i'=i*'), enquanto a outra, i", é
reduzida até trazer o vetor sintetizado, i, para o limite do hexágono. O estado
nulo desaparece. O vetor sintetizado difere da referência em fase e magnitude.
Os ciclos de trabalho são:
(7.14)
(7.15)
(7.16)
A figura 7.17 mostra também uma situação de saturação profunda,
que ocorre quando a maior das componentes de i* resulta fora do hexágono. Neste
caso esta componente é feita igual ao vetor mais próximo (j1, no
exemplo) e a corrente de saída do conversor se torna quadrada. Os ciclos de
trabalho são:
(7.17)
(7.18)
(7.19)

Figura 7.17 Modulação vetorial nos casos de a) saturação e b)
saturação profunda.
Esta maneira de tratar a saturação é intermediária entre outra
que ou mantém a amplitude da referência ou a sua fase e possui algums
interessantes propriedades: permite sobre-modulação; realiza uma passagem suave
entre um sinal MLP e a operação em onda quadrada; o erro de corrente (i'-i*) é
menor que nas outras técnicas; sua implementação é simples.
A figura 7.18 mostra a passagem entre os diferentes modos de
operação.

Figura 7.18 Corrente de saída do inversor e corrente filtrada,
passando de operação normal à saturada.
Filtros Ativos trifásicos
Analisaremos neste item maneiras de obter as referências
de corrente (ou de tensão) necessárias à compensação de fator de potência ou de
harmônicas em sistemas trifásicos. Métodos de, a partir de referências dadas,
gerar os sinais de comando para os interruptores dos inversores já foram
discutidos.
Geração de referências de corrente utilizando a teoria da potência
instantânea de Akagi-Nabae
Consideremos inicialmente um sistema trifásico equilibrado,
como mostrado na figura 7.19, com carga equilibrada. A teoria de Akagi-Nabae
[7.7], realizando uma transformação das variáveis do plano abc para o plano
a-b permite determinar expressões para as potências
ativa e reativa, identificando termos médios e oscilatórios. Em uma situação
deste tipo a componente de seqüência zero é nula.
A compensação desejada é aquela que mantém a potência média na
carga e compensa todos os outros termos, produzindo uma corrente senoidal, em
fase com a tensão, ou seja, produzindo um fator de potência unitário.

Figura 7.19 Tensões de alimentação equilibradas.
A transformação das tensões para o plano ab é feita utilizando a matriz de transformação:
(7.20)
Aplicando tal transformação obtém-se as tensões projetadas,
mostradas na figura 7.20.

Figura 7.20 Tensões no plano ab.
Carga com harmônicas
Consideremos uma carga que absorva uma corrente não-senoidal
como, por exemplo, um retificador trifásico com filtro LC no lado contínuo. Este
conversor absorve uma corrente semelhante à mostrada na figura 7.21.

Figura 7.21 Corrente de linha.
A mesma transformação das tensões aplica-se às correntes,
produzindo as correntes no novo plano, mostradas na figura 7.22.

Figura 7.22 Correntes no plano ab.
As potências instantâneas são dadas por:
(7.21)
(7.22)
Tais potências estão mostradas na figura 7.23. Note que a
potência ativa possui um valor médio e uma parte oscilatória. Já a potência
reativa tem valor médio nulo. Isto se deve ao fato de as correntes serem
simétricas e estarem centradas em relação às respectivas tensões. As potências,
separadas em suas componentes média e variável estão mostradas nas figuras 7.24
e 7.25. Os valores médios são calculados tomando-se um intervalo mínimo de 1/6
de período da rede.

Figura 7.23 Potências instantâneas ativa e reativa.

Figura 7.24 Separação da potência ativa em seus termos médio e
variável.

Figura 7.25 Separação da potência reativa em seus termos médio e
variável.
Utilizando estes valores de potência e definindo uma norma de
tensão, é possível identificar as parcelas de corrente relacionadas com cada
tipo de potência:
(7.23)
(7.24)
(7.25)
(7.26)
(7.27)
As figuras 7.26 e 7.27 mostram tais componentes.

Figura 7.26 Decomposição da corrente ia.

Figura 7.27 Decomposição da corrente ib.
O filtro ativo deve ser capaz de compensar todos os elementos
de potência, exceto a potência ativa média, que é a que, efetivamente, está
realizando trabalho junto à carga.
Utilizando os termos de potência a serem compensados, as
equações anteriores permitem obter as correntes de compensação no plano ab.
(7.28)
(7.29)
Aplicando-se a transformação inversa a, obtém-se as correntes
nas fases abc que devem ser geradas para compensar a corrente:
(7.30)
A corrente de compensação necessária para a fase a está
mostrada na figura 7.28. Este sinal deve servir de referência para produzir o
padrão MLP para o inversor. A figura 7.29 mostra a tensão da fase a, a corrente
da carga e a corrente fornecida após a compensação. Observa-se que o fator de
potência resultante é unitário e que todas as harmônicas foram compensadas.

Figura 7.28 Corrente de compensação da fase a.

Figura 7.29 Tensão da fase a, corrente de carga e corrente
compensada.
Cargas reativas passivas
Verificaremos agora o comportamento desta teoria tratando de
cargas reativas (equilibradas), mas sem harmônicas. Um exemplo de correntes está
mostrado na figura 7.30, para cargas com característica indutiva.

Figura 7.30 Correntes de linha para carga tipo RL.
As figura 7.31 mostra as correntes no plano ab, que também possuem amplitudes iguais e são senoidais.

Figura 7.31 Correntes no plano ab.
As potências ativa e reativa instantâneas calculadas estão
mostradas na figura 7.32. Como não há componentes harmônicas estas potências não
apresentam as componentes variáveis. Como tem-se presente apenas os valores
médios, a obtenção de seu valor é instantânea, ou seja, não é preciso integrar
p(t) ou q(t) para obter os termos médios. O produto instantâneo dado pelas
equações (7.21) e (7.22) já fornecem o valor desejado.

Figura 7.32 Potências ativa e reativa instantâneas.
As figura 7.33 mostra as correntes em ab decompostas em seus termos ativos e reativos.

Figura 7.33 Decomposição das correntes em parcelas ativa e
reativa.
A figura 7.34 mostra a corrente de compensação da fase a, e na
figura 7.35 tem-se as formas de onda da tensão desta fase, juntamente com a
corrente da carga e a da linha (já compensada). Nota-se o fator de potência
unitário.

Figura 7.34 Corrente de compensação da fase a.

Figura 7.35 Tensão, corrente da carga e corrente compensada na
fase a.
Estudo de caso com carga desequilibrada
Veremos nesta situação uma alimentação equilibrada alimentando
uma carga resistiva desequilibrada, cujas correntes de linha estão
mostradas na figura 7.36.

Figura 7.36 Correntes de linha com carga (resistiva)
desequilibrada.
Como se nota na figura 7.37, como as tensões são equilibradas,
as projeções no plano ab também o são, e não há
componente de seqüência zero.

Figura 7.37 Tensões no plano ab0.
Uma vez que o sistema é a 3 fios, também não existe corrente de
seqüência zero, como se vê na figura 7.38.

Figura 7.38 Correntes no plano ab0.
As potências instantâneas estão mostradas na figura 7.39.
Observa-se que, dado o desequilíbrio, aparecem componentes variáveis tanto na
potência ativa quanto na reativa. Como a carga é suposta resistiva, o valor
médio da potência reativa é nulo. Para se obter uma medida das potências médias
é preciso fazer uma integração com duração de ½ de período.

Figura 7.39 Potências instantâneas.
As componentes ativa e reativa das correntes no plano ab0 estão mostradas nas figuras 7.40 e 7.41. Observa-se que
estas correntes são não-senoidais.

Figura 7.40 Componentes ativa e reativa da corrente ia.

Figura 7.41 Componentes ativa e reativa da corrente ib.
A corrente de compensação para a fase a está mostrada na figura
7.42. Ela é senoidal e leva à compensação da corrente de linha, como mostrado na
figura 7.43. Observa-se que é possível compensar o desequilíbrio e obter um
fator de potência unitário.

Figura 7.42 Corrente de compensação da fase a.
 
Figura 7.43 Tensão, corrente de carga e da rede nas fases a e b,
após compensação.
Estudo de caso com alimentação desequilibrada
Temos aqui tensões de entrada desequilibradas e uma carga
resistiva equilibrada. As tensões estão mostradas na figura 7.44.
A figura 7.45 mostra as tensões no plano ab0. Note-se a presença de tensão de seqüência zero. As
tensões de linha são mostradas na figura 7.46, e também apresentam
desequilíbrio.

Figura 7.44 Tensões desequilibradas de entrada.

Figura 7.45 Tensões transformadas para o plano ab0.

Figura 7.46 Correntes de linha.
As correntes no plano ab0 estão na
figura 7.47. Por ser um sistema a 3 fios, não tem-se corrente de seqüência
zero.

Figura 7.47 Correntes no plano ab0.
A figura 7.48 mostra as potências instantâneas. Observe que
tanto a potência reativa quanto a de seqüência zero são nulas. Temos apenas
potência ativa, com um valor médio e uma parcela variável. A obtenção do valor
médio exige uma integração por ½ ciclo.
A figura 7.49 mostra as componentes ativa e reativa no plano
ab0. Como a potência reativa é nula, suas componentes
também o são.

Figura 7.48 Potências instantâneas.
 
Figura 7.49 Componentes ativa e reativa das correntes no plano
ab0.
Como há uma parcela variável de potência ativa a ser
compensada, este método produz uma corrente de compensação, mostrada na figura
7.50 para a fase a. Esta corrente é não-senoidal e, portanto, introduzirá
distorção harmônica na corrente da rede, após a compensação. Na figura 7.51
tem-se as correntes compensadas nas fases a e b, juntamente com as tensões de
fase e as correntes de carga.

Figura 7.50 Corrente de compensação da fase a.
 
Figura 7.51 Tensão, corrente na carga e na linha (após
compensação), nas fases a e b.
O uso deste método, como se nota, não se aplica a sistemas com
alimentação desequilibrada, uma vez que seu objetivo é o de compensar todas as
parcelas de potência exceto a potência ativa média. Como se vê na figura 7.52,
este objetivo é conseguido, mas isto não significa que se tenha o máximo fator
de potência, como evidenciam as formas de onda mostradas em 7.51.

Figura 7.52 Potência ativa antes e depois da compensação.
Estudo de tensões equilibradas, com harmônicas
Consideremos um sistema com tensões equilibradas, mas com uma
5a harmônica superposta, como mostrado na figura 7.53. Supondo
carga resistiva e equilibrada, as correntes terão a mesma forma das tensões.

Figura 7.53 Tensão de entrada com distorção harmônica.
Sendo o sistema equilibrado, e para a 5a
harmônica, não há corrente de seqüência zero, como se vê na figura 7.54. Na
figura 7.55 têm-se as correntes no plano ab0.

Figura 7.54 Tensões no plano ab0.

Figura 7.55 Correntes no plano ab0.
Sendo a carga resistiva, não há potência reativa. A potência
ativa apresenta um valor médio e uma parte variável, como mostrado na figura
7.56.

Figura 7.56 Potências ativa, reativa e de seqüência zero.
A corrente de compensação produzida para a fase a está mostrada
na figura 7.57. Sua injeção no sistema leva às formas de onda mostradas na
figura 7.58. Note-se que, sem compensação, a corrente da fase a segue a mesma
forma da tensão, dado que a carga é equilibrada e resistiva. A ação da corrente
de compensação distorce a corrente resultante, de modo que a rede não mais vê
uma carga resistiva. A figura 7.41 mostra que o objetivo do método, que é o de
obter apenas a potência ativa média foi atingido.

Figura 7.57 Corrente de compensação da fase a.

Figura 7.58 Tensão, corrente da carga e corrente compensada das
fases a e b.

Figura 7.59 Potência ativa instantânea antes e depois da
compensação.
Produção de compensação de tensão
Todos os exemplo mostrados tratam de compensação de corrente.
Esta é, de fato, a aplicação mais usual destes compensadores.
No entanto, é plenamente possível utilizar o mesmo método para
fazer a compensação de tensões, bastando para isso gerar os sinais de
compensação utilizando as equações (7.21) a (7.27), identificando tensões
vap, vaq, vbp,
vbq, a partir das correntes ia e ib.
Considerações sobre as teorias de potência
No enfoque de compensação, ou seja, quando se buscam medidas de
variáveis elétricas para identificar componentes nas correntes que devam ser
compensadas para que se obtenha o máximo fator de potência possível, as atuais
teorias não fornecem resultados satisfatórios para sistemas nos quais as tensões
de entrada não seja senoidais, simétricas e equilibradas. Isto vale para as
teorias de Akagi, Tenti [7.8], etc.
Os métodos de medida de potência que são baseados no domínio da
freqüência ou que apenas tratem com valores médios (e não instantâneos) não
possibilitam a identificação de grandezas temporais, de modo que não se aplicam
no caso de compensação de componentes harmônicas.
As matrizes de transformação usadas na teoria de Akagi-Nabae
advém de uma hipótese de tensões simétricas e, portanto, não são válidas para
sistemas em que as fases não estejam defasadas de 120o. Por outro
lado, como seu paradigma é a compensação das potências reativa e ativa variável,
isto não significa, como já foi dito, que o fator de potência seja máximo em
situações de desequilíbrio.
Um paradigma mais geral, e que garante o fator de potência
unitário, qualquer que sejam as tensões (incluindo distorções harmônicas), é de
sintetizar uma carga resistiva. No entanto, ainda não se dispõe de um método
instantâneo que permita a um compensador agir segundo este paradigma em sistemas
trifásicos.
O caso monofásico
A síntese de uma corrente senoidal, mesmo na presença de
distorções na tensão, apresenta alguns inconvenientes que são discutidos a
seguir.
Caso o sistema apresente uma tensão senoidal e nenhuma
não-linearidade, realizar uma compensação que emule uma carga resistiva ou que
absorva uma corrente senoidal seria equivalente.
Como o sistema apresenta distorções e a tensão nunca é
perfeitamente senoidal, sempre existirão elementos harmônicos capazes de excitar
ressonâncias. Os elementos que introduzem amortecimento no sistema são,
essencialmente, as cargas, uma vez que as perdas próprias das linhas e
transformadores são baixas. Assim, um sistema sem carga tende a ver amplificadas
as possíveis ressonâncias presentes.
Quando um filtro ativo leva à absorção apenas de uma corrente
senoidal, isto significa que a rede vê uma carga aberta para as outras
freqüências, ou seja, a carga deixa de atuar como fator de amortecimento para as
eventuais ressonâncias do sistema.
Além disso, essa corrente senoidal absorvida não minimiza a
corrente eficaz e, conseqüentemente, não maximiza o fator de potência.
A defesa desta última técnica é feita com o argumento de que a
absorção de correntes senoidais melhoraria a forma da tensão da rede. Isto é
verdade, mas também ocorre com o método de sintetizar uma carga resistiva, sem
as desvantagens da perda de amortecimento.
A figura 7.60 mostra resultados de simulação com ambos métodos
aplicados. A fonte de entrada possui uma 9a harmônica com 1%
de amplitude da fundamental. O indutor (20mH) e o capacitor (6.25uF) produzem
uma ressonância nesta 9a harmônica. Quando tem-se uma carga
resistiva, devido ao amortecimento introduzido, praticamente não se observa o
efeito desta harmônica, pois ela continua afetando as tensões em um nível muito
baixo.
Quando se força a carga a absorver uma corrente apenas na
freqüência fundamental (50Hz), nota-se a ressonância e a conseqüente distorção
na tensão.

Figura 7.60 Formas de onda e circuitos simulados para cargas
resistiva e "senoidal".
Filtro ativo monofásico
Filtros ativos monofásicos podem ser utilizados na correção do
fator de potência de cargas de pequena e média potência. As aplicações
restringem-se tipicamente a potências de 4kVA (para alimentação em 220V), dado
que cargas maiores possuem entrada trifásica [7.9].
A figura 7.61 mostra resultados de simulação em um filtro
monofásico (acúmulo capacitivo) com controle MLP. As formas de onda de uma carga
não-linear (próxima à que se tem em um retificador monofásico com filtro
capacitivo) e a corrente a ser produzida pelo filtro para compensá-la são
mostradas. Como esta simulação foi feita em malha aberta, não se tem um controle
mais preciso da corrente na linha, o que explica algumas oscilações decorrentes
da excitação de ressonâncias do sistema.
A figura 7.62 mostra a corrente obtida após o filtro de saída.
Observe que o circuito não conseguiu fazer uma compensação perfeita, devido aos
problemas citados. O espectro está mostrado na figura 7.63, onde se vê que a
corrente não é senoidal e que restam componentes na freqüência de chaveamento.
De qualquer forma, a distorção harmônica da corrente caiu de 155% (sem o filtro
ativo) para 7,5%.
De maneira análoga, a figura 7.64 mostra uma corrente
"trapezoidal" a ser compensada, bem como a corrente a ser produzida pelo filtro.
Na figura 7.65 tem-se a corrente de linha após a filtragem. Nota-se aqui uma
melhor forma de onda, o que se justifica por 2 fatores. O primeiro é que a
corrente da carga apresenta um espectro mais concentrado nas harmônicas de baixa
ordem, facilitando a compensação pelo filtro. A segunda é que as maiores
variações ocorrem quando a tensão da rede é baixa, ou seja, quando a diferença
entre a tensão da rede e a tensão contínua do barramento do filtro é grande,
havendo uma grande folga de tensão para a imposição da corrente desejada. O
espectro das correntes da carga e da rede (após a filtragem) estão mostradas na
figura 7.66.

Figura 7.61 Forma de onda na carga e corrente do filtro
necessária para compensá-la.

Figura 7.62 Corrente da rede com atuação do filtro ativo.

Figura 7.63 Espectro da corrente de saída do filtro.

Figura 7.64 Formas de onda da corrente da carga e do filtro.

Figura 7.65 Forma de onda da corrente da rede após
filtragem.

Figura 7.66 Espectro da corrente da carga e da rede
(filtrada).
Estrutura de controle do filtro
A figura 7.67 mostra uma possível estrutura do sistema de
controle para um filtro de acúmulo capacitivo operando em MLP. A forma da
referência da corrente é obtida da própria tensão. A amplitude desta referência
é modulada de modo a manter a tensão cc no valor desejado. O sinal do erro da
tensão cc, passado por um compensador tipo PI (que anula o erro em regime para
uma entrada constante) é uma das entradas do bloco multiplicador. Sendo um valor
contínuo (que varia muito mais lentamente do que a referência de corrente, que
varia na freqüência da rede), funciona como fator de escalonamento da forma da
corrente. A corrente da rede é realimentada, produzindo, em relação à referência
de corrente, um erro o qual, passando por um compensador (tipicamente tipo P)
produz a tensão de controle, que é comparada com a portadora MLP, gerando os
pulsos para o comando dos transistores.

Figura 7.67 Diagrama de controle de filtro ativo paralelo.
Retornando à questão do controle da tensão Vcc, consideremos
este caso a título de exemplo.
Supondo que a tensão no barramento não se altere
significativamente, a corrente absorvida pela carga tem uma forma típica e
estável.
A diferença instantânea entre ir e ic
deve fluir pelo filtro. Se a amplitude da corrente da rede for tal que a
potência ativa absorvida da rede for maior do que a consumida pela carga, seu
único caminho é circular pelo filtro ativo, acumulando energia na capacitância
(subindo a tensão). O erro de tensão eventualmente produzido leva, sendo
multiplicado pela "forma" da corrente, a uma redução da referência da corrente
restabelecendo o balanço de potência e, conseqüentemente, retornando ao valor
correto de referência, Vcc.
Considerações sobre o filtro de saída e o sistema de controle
O filtro de saída é o responsável pela atenuação das
componentes de alta freqüência advindas do chaveamento. O fato do filtro estar
dentro da malha de controle indica que, em princípio, qualquer anomalia por ele
introduzida (ressonâncias, defasagens, etc.) podem ser corrigidas pelo sistema,
pois o objetivo é sempre ter uma corrente "senoidal" sendo consumida da rede. No
entanto, caso estas perturbações ocorram em freqüências elevadas, o sistema
possivelmente não terá capacidade de compensá-las adequadamente. Este limite
poderia ser, em primeira análise, limitado a freqüências 10 vezes menores do que
o valor da freqüência de chaveamento.
Outro aspecto muito importante é que o filtro não deve,
idealmente, apresentar amortecimento. A razão para isso é que, como a tensão Vcc
deve ser maior do que a tensão de pico presente na rede, o conversor deve atuar,
nos momento de acúmulo de energia no capacitor, como um elevador de tensão.
Conforme já foi dito, isto se dá pelo aumento da corrente absorvida da rede, a
qual flui para o filtro. Caso o filtro passivo apresente amortecimento, esta
potência adicional poderá ser dissipada nos elementos resistivos, impedindo sua
efetiva transferência para o capacitor. Obviamente a eficiência de um filtro com
amortecimento é comprometida, tanto no aspecto energético, devido às maiores
perdas, como na resposta em freqüência, pois reduz a ordem resultante.
Desprezando as perdas nos conversores, o único fator de
amortecimento que resta é a própria carga. Conclui-se que, quanto maior a
potência (ativa) consumida pela carga, mais amortecido se mostrará o sistema
como um todo, e vice-versa. Ou seja, deve-se prever uma estratégia de supervisão
do filtro para evitar instabilidades em vazio.
Desta forma, como o filtro de saída apresenta ressonâncias,
elas devem ser devidamente atenuadas pelo circuito de controle, garantindo a
estabilidade do sistema.
Considerando o diagrama mostrado na figura 7.68, um dos blocos
capaz de realizar esta função é o chamado "condicionador de sinal", que atua na
realimentação da corrente.
O comportamento deste "condicionador" é vital para o bom
desempenho do filtro. Dado que ele atua sobre a forma real da corrente da linha,
um bom resultado na compensação da corrente só ocorre se o sinal realimentado
for fiel à corrente da linha. Uma vez que, em princípio, deseja-se fazer a
compensação total das harmônicas, a faixa de passagem deste bloco deveria
apresentar um ganho constante e uma defasagem nula na faixa até 3kHz
(50a harmônica). Além desta freqüência deve-se atenuar o sinal
de modo que, nas freqüências de ressonância do filtro o ganho (em malha aberta)
do sistema seja menor do que 0dB (condição de estabilidade).
Via de regra esta não é uma condição simples de ser satisfeita,
visto que para ter uma atenuação adequada na freqüência de chaveamento (digamos
em 20kHz), a freqüência de ressonância do filtro de saída estará na faixa dos
kHz, ou mesmo inferior, dependendo da ordem deste filtro.
Conclui-se assim que o filtro de saída (tipicamente numa
estrutura LC) deve ser de ordem mais elevada, o que vem permitir usar
componentes de menor valor (individualmente), e também produzir ressonâncias em
valores elevados de freqüência.
Quanto ao condicionador de sinais, ele, em princípio, não deve
ser um simples filtro passa-baixas, uma vez que para satisfazer ao papel de
atenuar as ressonâncias, teria que possuir uma freqüência de corte bastante
baixa, o que implica em produzir defasagens importantes na faixa de interesse
para a corrente da linha. Deve-se, assim, buscar circuitos que mantenham o
ganho, não alterem a fase e atenuem satisfatoriamente os sinais fora desta
faixa.

Figura 7.68 Circuito de teste para verificação da resposta em
freqüência do sistema.
Resultados experimentais
Os resultados a seguir foram obtidos em um protótipo de baixa
potência [7.2]. A carga não-linear é um retificador monofásico. A malha de
realimentação conta com um compensador com avanço de fase. O filtro de saída é
de quarta ordem.
A figura 7.69 mostra correntes da rede quando se emprega um
filtro indutivo no lado cc de retificador. Mostra também a tensão da rede e a
corrente após a atuação do filtro.
Ao ser ligado o filtro observa-se uma efetiva melhora na
corrente fornecida pela rede. Nota-se que as distorções presentes na tensão
também são observadas na corrente, indicando que o sistema está se comportando
como uma carga resistiva. A oscilação observada na corrente deve-se à
impossibilidade do sistema responder a um degrau de carga, como ocorre neste
caso.
Na figura 7.70 tem-se os resultado com um filtro capacitivo no
lado cc do retificador. Neste caso, como as transições de corrente são mais
suaves, a corrente compensada apresenta-se praticamente sem distorções de alta
freqüência.
A diminuição no valor eficaz da corrente deveria ser
proporcional (inversamente) ao aumento do fator de potência (que sobe de 0,7 a
1). No entanto, como o filtro ativo apresenta perdas, a rede tem que fornecer
uma potência ativa suplementar. Este efeito é muito marcante em baixas
potências. Quando se eleva a potência da carga a parcela dissipada no inversor
se torna relativamente menor, aumentando a eficiência do sistema.

Figura 7.69 Tensão da rede (superior - 150V/div.), corrente após
compensação (intermediário - 5A/div.) e corrente sem compensar (inferior -
5A/div.)

Figura 7.70 Figura 7.14 Tensão da rede (superior - 150V/div.),
corrente após compensação (intermediário - 5A/div.) e corrente sem compensar
(inferior - 5A/div.)
A figura 7.71 mostra a corrente de saída do filtro, após ser
filtrada pelo filtro passivo, para o caso do retificador com filtro
capacitivo.

Figura 7.71 Corrente (filtrada) de saída do filtro ativo.
A figura 7.72 mostra os espectros da corrente da linha antes e
depois do atuação do filtro. Nota-se a expressiva melhoria, representada pela
redução da amplitude das harmônicas. A diminuição na 5a
componente não é tão significativa porque esta é uma harmônica presente na
tensão e que, portanto, deve também surgir na corrente compensada.

Figura 7.72 Espectros da corrente da rede antes e depois da ação
do filtro.
A figura 7.73 mostra a corrente de saída do inversor antes de
passar pelo filtro passivo e em um estágio intermediário.
Um dos parâmetros a ser utilizado no dimensionamento deste
filtro é respeitar os limites impostos pelas normas de Interferência
Eletromagnética (IEM) conduzida, uma vez que, do ponto de vista da rede, o
filtro faz parte da carga.

Figura 7.73 Corrente de saída do inversor e após o primeiro
estágio do filtro passivo.
Na figura 7.74 mostra-se a resposta dinâmica do sistema a uma
variação em degrau na carga. Observe que ao ser aumentada a carga ocorre uma
redução na tensão do barramento cc, uma vez que a energia consumida vem,
inicialmente, dos capacitores que alimentam o inversor. Uma vez detectada esta
redução, o circuito de controle atua no sentido de aumentar a corrente absorvida
da rede visando recuperar o valor de referência. Ocorre uma sobre-corrente que
serve para repor a carga do capacitor do barramento.

Figura 7.74 Resposta do sistema a variações da carga: Tensão no
barramento cc (superior -50 V/div.) e corrente de linha (inferior - 5 A/div.).
Filtros híbridos
A fim de reduzir a potência a ser manobrada pelo filtro ativo é
possível utilizá-lo em associação com filtros passivos, de maneira que a parte
ativa deve atuar apenas sobre as componentes não corrigidas pelo filtro passivo
[7.11].
A figura 7.75 ilustra o princípio de um filtro híbrido
monofásico. Na figura tem-se o esquema geral, considerando a existência de uma
fonte de tensão na freqüência fundamental (Vs) e uma fonte de tensão que
representa a distorção harmônica da tensão (Vsh). A carga é modelada como uma
fonte de corrente (IL), a qual também possui componente harmônica
(Ilh). Existe uma reatância da fonte, (Zs) e um filtro LC série
sintonizado na freqüência da harmônica de interesse. O filtro ativo é modelado
como uma fonte de corrente.
Observe-se que a componente harmônica a ser drenada pelo filtro
passivo não terá que circular pelo filtro ativo, de modo que tem-se uma redução
na corrente eficaz a ser controlada pela parte ativa. Entretanto, não há
diminuição na tensão de projeto do filtro ativo.

Figura 7.75 Esquema simplificado de filtro híbrido monofásico de
corrente.
Na figura 7.76 tem-se uma outra alternativa topológica, na qual
o filtro ativo é colocado em série com um filtro passivo. Na verdade podem estar
colocados diversos filtros passivos, sintonizados ou passa-altas.

Figura 7.76 Princípio de operação de filtro híbrido de corrente:
(a)Esquema geral;
(b) Operação na freqüência fundamental; (c) Operação na
freqüência de sintonia do filtro; (d) Operação nas demais harmônicas.
O sistema de controle do filtro ativo é tal que ele absorve uma
componente de corrente na freqüência fundamental com tal valor que produza sobre
a parte passiva do filtro uma queda de tensão igual à tensão da rede,Vs, como
indica a figura (b). Isto faz com que a tensão a ser suportada pelo estágio
ativo seja somente a tensão relativa às componentes harmônicas.
Além desta componente, o filtro absorve uma corrente igual ao
conteúdo harmônico da carga, de modo que pela fonte circule apenas uma corrente
na freqüência fundamental.
Na freqüência de ressonância do filtro passivo a parte ativa
deverá suportar uma tensão aproximadamente igual à parcela distorcida da tensão
da rede (figura (c)). Nas demais freqüências a tensão harmônica divide-se entre
o filtro passivo e o ativo (figura (d)).
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